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Delfim Sardo /// Isomorfismos : Mattew Barney e a memória de Beuys. Quando, em 2003, vi a exposição de Mathew Barney no Whitney Museum, fui assaltado por uma sensação de que não estava somente a ver uma exposição, mas que a proposta era muito mais ambiciosa do que o habitual em termos expositivos museológicos, quer pelo seu gigantismo, quer pelo carácter sistemático/simbólico. Mais intenso e relevante, a exposição de Matthew Barney possuía um fantasma. A sensação veio a adensar-se mais tarde, no ano seguinte, quando, durante a Bienal de São Paulo vi o projecto que Barney tinha realizado para o Carnaval da Baia, apresentado na Pinacoteca. De facto, o mais inquietante da sensação residia num primeiro sentimento difuso de que aquele trabalho não era (só) o que era visível, nem o que dele facilmente se poderia inferir em relação às suas referncias ao sincretismo das crenas e rituais afro-brasileiros, mas que se referia a outra coisa, mais antiga e simultaneamente interna ao próprio universo das artes. Nesse dia, na figura que, debaixo de um cami‹o usado como carro alegórico, acaricia um pequeno símio morto, não consegui deixar de encontrar uma clara (quase evidentemente clara) alusão a uma performance de Joseph Beuys, apresentada em Dusseldorf em 1965, intitulada Como explicar pinturas a uma lebre morta. |