Alberto Ruiz de Samaniego /// V / W ou a guerra de Virilio.

V/W
Poderia ser, por exemplo, a Vida ou o Visível perante suas réplicas/desdobramentos, suas representaŤções, seus duplos e reflexos (W): o câncer repetitivo que a sufoca e anula, converte-a mesmo numa matéria adelgaŤada e duplicada em ecrãs, plasmas, capacetes de visionamento (ah, o perceptrón!) e códigos binários. Anorexia do mundo; que, contudo, não pára de se transmitir, de se expandir, de guerrear sem tréguas toda manifestaŤção plena (isto é: presente) de vida. Cegueira, também, do mundo, quando as coisas deixam de se ver; quando uma "máquina de visão", a produŤ‹o de uma vis‹o sem olhar (o perceptrón, precisamente, como ideal regulativo de nossas futuras formas -talvez já presentes- de ver), o realiza por nós. Cegueira que, efectivamente, se converteu numa nova e derradeira forma de industrializaŤção: a industrializaŤção do não-olhar. Visão em série: W. Efeito das numerosas próteses tecnológicas da visão, que acabaram por substituir o mísero olho cansado, talvez acostumado. Eis o nosso tempo. Tempo, pois, de um mundo em guerra; como sempre. Ou melhor: a guerra do mundo, como se fosse um filme de sempre e de hoje. Agora que reduzimos o mundo a uma finíssima película, uma lâmina onde as imagens deslizam, ou nem isso: uma mera superfície de ejecŤão de partículas luminescentes e nœmeros cifrados. Era da simulaŤção generalizada ou da dissimulaŤção integral, dado o descrédito do espaŤo territorial e o artificio de um regime de falsa temporalidade.

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