Paul Virilio /// Esperar o inesperado.

O séc. XVII foi o séc. das matemáticas, o XVIII o das ciências físicas, e o XIX o da biologia. O século XX é o séc. do medo. Vão me contestar dizendo que (medo) não é uma ciência. Mas, em primeiro lugar, a ciência tem algo a ver com isso, já que suas últimas melhorias teóricas a tem levado a negar-se a si mesma e que seus avanos técnicos ameçaam destruir a Terra inteira.
Além disso, se o medo em si mesmo não pode ser considerado uma ciência, "não resta dúvidas de que é uma técnica", escrevia Albert Camus em 1948. De minha parte acrescentarei que desde essa data, o medo se converteu se não em arte, em uma arte contemporânea da destruição mútua garantida, em uma cultura dominante.
Com efeito, desde os séc. XVIII e XIX, a história tem presenciado um avano a cerca de posturas extremas do qual Clausewitz se fez analista devido à guerra, mas a este crescendo que deveria desembocar no equilíbrio da terra entre o Este e o Oeste durante o séc. XX, não lhe foi dado a importância que merecia, no que se refere a paz, essa paz de persuasão que sustenta hoje toda cultura das mass media.

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