edgar martins

Nuno Porto / Ana Rita Amaral /// Edgar Martins

1.
Como se não tivessemos chegado a tempo e, entretanto, a realidade tivesse passado por nós sem nos levar consigo. Espectadores, em quem não se repara, de um reino acabado onde estamos ausentes. Sitiados no intervalo das ocorrências memoráveis, vamo-nos tornando cidadãos da transiência que tem a forma destas imagens e se cola à nossa pele.

Evocação
Há um conto do Michel Tournier (O Sudário de Verónica na tradução portuguesa) onde se discute a violência sacrificial do exercício do retrato fotográfico: um fotógrafo que elege os seus modelos por personificarem a beleza e imprime as suas imagens por contacto dos corpos com o papel. Os modelos, envenenados pelos químicos, são imortalizados nas suas únicas, derradeiras imagens e eternas. Têm mortes atrozes, retratos sublimes).

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