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Marilyn A. Zeitlin /// Centauro. Tiago Carneiro da Cunha Uma figura entra num espaço que contém três pedestais. A sua identidade de género é inequívoca: trata-se de um homem. Está vestido – t-shirt preta, calças pretas. Porém adopta o aspecto de um macaco num grau estranho: nos seus maneirismos faciais, com a maxila superior saliente e os olhos perscrutadores; nos sons que emite, grunhidos e rugidos; no seu andar, ajustado aos braços de proporções longas de um macaco através de muletas curtas. A dualidade animal-humano é desconcertante, e isso é apenas o começo. Examina diligentemente o tecto. Corre em círculos. Explora os pedestais e depois ataca-os, espalhando-os violentamente. Corre em direcção à câmara. Urra. Durante 40 minutos, o espectador alterna entre estar dentro e fora, entre ver o homem-macaco pela sua alteridade e com ele se identificar. Nunca é confortável assistir. |