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David Barro /// O retrovisor dum prestidigitador ou a magia de William Kentridge Vivemos em espaços cheios de narrativas que normalmente se articulam a partir de uma única história dominante, impositiva e, hoje sabemos, mentirosa e fictícia como podiam ser todas as outras. William Kentridge interroga-se sobre o que se que se vê e o que se sabe e por isso se dedica a pôr a descoberto as contradições que configuram estas maneiras distintas de ver o mundo. Fá-lo ao seu próprio ritmo, configurando a sua sintaxe particular com o desenho como ponto de partida. A imagem que Kentridge constrói é o produto de um composto emocional e intelectual num instante de tempo, tal como definida por Pound. Mas como se constroem essas imagens, porque se constroem assim, como encontrar as palavras adequadas e o sentido para um mundo cada vez mais fragmentado. |