Usle

Rocío de la Villa ///
Juan Uslé. Entre a câmara lúcida e obscura

O consenso internacional em relação ao “ter de voltar a ver pintura” situou Juan Uslé (Santander, 1954) no centro da consolidação de um olhar reflexivo sobre a imagem pictórica em Espanha. Um olhar debilmente mantido até agora na nossa tradição artística, com propensão a valorizar a espontaneidade expressiva -da indiferença à paródia- e a sensualidade material do gesto sobre a tela. Mas coincidindo com o repto que os mais destacados pintores pós-modernos, com quem Uslé convive no âmbito internacional, têm defendido perante a emergência de novos meios de representação visual: uma vez que a marginalidade crítica e a sobrevivência efectiva do pictórico nas últimas décadas tem sido julgado como dependentes da sua relação com outros modos de ver e de reinterpretar o fazer artístico. A actual posição de Uslé como validador dessa outra tradição pictórica também se prende muito com a forma como se percebe na sua obra a tensão que mantém com a dialéctica autonomia/heteronomia do pictórico no progreso das artes visuais. Duas das suas intervenções recentes em Espanha são muito esclarecedoras em relação a esta consideração.

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