baltazartorres

Fernando Castro Flórez ///

Sitios estranhos. Considerações mínimas em torno da última obra de Baltazar Torres.

Zizek assinalou que entre os antagonismos que caracterizam a nossa época, talvez um lugar chave corresponda ao antagonismo entre a abstrac¨ção, que é cada vez mais determinante nas nossas vidas, e a inunda¨ção de imagens pseudoconcretas. Baltazar Torres não elude, de forma nenhuma, a paisagem banal contemporânea, antes pelo contrário, povoa-a de figuras. Já assinalei, noutra ocasição, que este artista tem desenvolvido uma obra na qual se combinam admiravelmente a crítica política oblíqua (isto é, alheia à retórica dos grupos fechados) e uma reflexão extremamente irónica sobre o sujeito. "Nota-se desde as suas primeiras actua¨›es um gosto pela acumula¨ção, pelo armazenamento ou amontoamento, sobretudo de ideias". Paradoxalmente, o barroquismo deste artista tem o seu contrapeso naquilo que se poderia chamar estilística minimalizadora, que já utilizou nas suas obras do início dos anos noventa. Sem dúvida, o eixo da extraordinária obra de Baltazar Torres tem sido uma preocupa¨ção pela escala ou, melhor, o questionar da escala antropomórfica que despoletou uma espécie de desconstru¨ção que gera formas.

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