eder

Marco Giannotti /// Esculpindo o tempo. Eder Santos.

Em Janaúba (1993) uma cobra se retorce pela estrada rumo ao horizonte. A imagem é repetida várias vezes, temos a sensa¨ção que seu esfor¨o é em vão, como em Sisifo, a pedra volta ao cume da montanha e a cobra deve reiniciar seu movimento pela estrada. O tempo parece suspenso, devido à imagem granulada, estourada pelo excesso de luz.
Uma mulher nua desce pela escada em moto continuo. A escada, como um labirinto - parece não ter fim. Imagens intercaladas de uma pista de pouso de avião colocam o observador como piloto conduzindo sua aeronave. Neste caso o observador voyeur do Nu descendo a escada de Marcel Duchamp é convidado a participar da cena. Uma cena que não tem come¨ço nem fim, o nu volta o topo da escada e somos levados novamente a balizar os nossos sentidos. Em distor¨ções contidas (2005) uma atmosfera etérea surge entre fragmentos de vidros quebrados onde as imagens são projetadas. Ao contrário dos aeroportos onde o tempo é minuciosamente cronometrado, aqui o tempo é espiral. Não deixa de ser curioso o fato de que a obra de Duchamp foi rejeitada pelo grupo cubista justamente por querer almejar a quarta dimensão, o tempo.

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