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David G. Torres /// Algumas observações de índole discursiva e conceptual a partir de três vídeos de João Onofre. Uma das características da arte é o seu carácter discursivo. Em primeiro lugar, porque tem a ver com o facto de criar discurso ou, por outras palavras, que se sujeita no conteúdo, que diz alguma coisa. E, em segundo lugar, porque se estabelece, em termos de debate, com a própria arte. Este é um argumento recorrente do ponto de vista teórico. Por exemplo, em Arthur Danto, quando este apontava que todo o artista responde aos seus contemporâneos e a toda a história da arte, impondo-se simultaneamente como desafio aos que virão, a Catherine Millet, quando esta dizia que hoje é impossível continuar a pintar sem ter em conta as obras de Duchamp, Kosuth ou Weiner. Na verdade, até para Clement Greenberg todo o dogma do formalismo assentava sobre uma base discursiva: afinal, segundo ele, o expressionismo abstracto era uma resposta essencialista a toda a história da pintura. Quiçá, justamente o facto de toda uma lógica discursiva servir de base a toda a teoria formalista esteja na origem de uma certa recusa actual para com essa segunda base dialogante sobre a qual se define o cará cter discursivo da arte. |