VictorHugo

Alberto Ruiz Samaniego /// Victor Hugo. Fixar as vértigens.

"Para pintar uma batalha é necessário um desses poderosos pintores que tenha algo de caos no pincel."
Victor Hugo

Em Victor Hugo, a meditação é sempre líquida. Situando-se na esteira de Nerval, o sonho neste autor não faz mais do que derramar-se como fluido eruptivo sobre a vida certa ou visível. "Sob a acção de alguns sopros violentos do interior da alma", escreve Hugo, "o pensamento convulsiona-se, eleva-se, e dele sai algo semelhante ao rugido surdo da onda" (L'Homme qui rit, IV, 1). Oceano ou caos, as oscilações selvagens da natureza surgem aqui como estados de maior profundidade da conscincia, nessa espécie de analogia universal que caracterizou o conceito romântico de poesia, já desde os alemães. Por isso, a contemplação, a observação de uma paisagem, por exemplo, resulta sempre em abandono ou afogamento numa condição interior insondável do homem que, naturalmente, já não lhe pertence.

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