Teresa Margolles

Oriana Baddeley ///

Teresa Margolles e a patologia da morte quotidiana

Não é de todo incomum artistas e comissários sentirem-se fascinados por assuntos forenses relacionados com a morte, mas a mais recente obra de Teresa Margolles cativou a atenção de um público cada vez maior. A sua fama tem crescido desde os anos noventa, devido ao seu trabalho de sócia fundadora do colectivo SEMEFO (um acrónimo derivado de Serviço Médico Forense), com sede na Cidade do México, e que nos últimos anos se estabeleceu fora do México e se expandiu através de dedicados seguidores da sua obra com o objectivo de criar um interesse crítico mais alargado. Ainda que profundamente politicos, os temas da arte de Margolles nascem do seu fascínio pelo que ela chamou de “a vida dos cadáveres”, e a forma como, mesmo na morte, as hierarquias sociais e injustiças se mantêm. Os materiais que a artista utiliza na sua arte quebram tabús do realismo mesmo nas sociedades em que vivemos, viciadas pela realidade. A reutilização, na sua arte, de restos humanos, partes de corpos e fluidos contaminados com os “verdadeiros” processos do que existe depois da morte, repelem e assustam muita gente, mas, mesmo assim, obrigam a que o seu público encontre esses aspectos da passagem da morte que normalmente não fazem parte do nosso pensamento consciente.

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