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Michael Hardt /// Tempo de cadeia Tempo de cadeia é o método óbvio de castigo na nossa sociedade. A liberdade, ou seja, o controle sobre o nosso tempo, é concebida como a pedra fulcral e o bem mais cobiçado na sociedade moderna, igual para todos. Através de uma lógica inescrutável, o paradigma do castigo é a perda deste bem tão precioso que todos possuem da mesma forma: o tempo. A cadeia consome o nosso tempo em quantidades bem definidas. Como as equações entre tempo de trabalho e valor, a nossa sociedade estabelece um cálculo complicado que nos é familiar entre o crime e o tempo de cadeia. O roubo de um carro vale seis meses; a venda de drogas ilegais vale cinco anos; homicídio vale dez anos. O tempo concreto é abstraído, multiplicado por uma variável misteriosa, e depois tornado concreto de novo como castigo expresso numa quantidade precisa de tempo. Os cálculos são completamente aleatórios (nem têm a correspondência metonímica terrível de cortar uma mão para castigar o roubo), mas, enquanto podemos questionar os valores relativos dos dois lados da equação, raramente temos dúvidas em relação à viabilidade do próprio cálculo. O castigo equivale a tempo. A sua lógica é óbvia vista de dentro da nossa sociedade moderna. |