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Joana Neves /// What if suddenly nothing else moves? O escritor beatnick William Seward Burroughs (1914 – 1997) tinha uma teoria muito própria da linguagem escrita, com a qual mantinha uma relação digna de um xamã com a sua droga – desconfiava e venerava o seu poder fazendo dela a sua poção encantatória. A manipulação da linguagem através das máquinas de gravação fascinava-o: ao gravar a sequência temporal de um segmento de linguagem, pode-se de seguida inverter a sua ordem, cortar o seu contínuum temporal, ou seja, pode-se seccionar o tempo. A solução passa não só pelo cut-up mas pela própria escrita ficcional, que torna a linguagem numa coisa, num objecto, numa imagem (e as imagens são coisas, fazem parte do mundo material). |