Daniel Blaufuks

Daniel Blaufuks /// SETEMBRO

437. No jardim.
438. Imagem e escrita. Deslocação e memória. Serão estas as razões do meu trabalho, as bases da minha pesquisa. Esta pesquisa é poética.
439. A memória é abstracta e geométrica.
440. Todas as minhas exposições, os meus filmes e os meus livros equacionam estas ligações, entre a literatura de exílio e a fotografia de viagem, a memória pessoal e a memória colectiva, entre a memoria da viagem e a viagem pela memória.
441. A exposição recente em Madrid estudava a memória da pintura (e necessariamente a do cinema) presente na fotografia. Talvez fosse preciso entender primeiro o livro paralelo para se apreender a exposição.
442. A pintura chegou-me sempre através do cinema.
443. Cada fotografia é um labirinto. Mas é também uma história, um fim e um início, simultaneamente. Entender isso é percorrer este labirinto e, eventualmente, sair dele.
444. Um vídeo é uma fotografia com tempo e movimento. A sua descodificação é semelhante à de uma fotografia. Esta descodificação pode ser pessoal e não colectiva.
445. Uma fotografia não necessita de ser um documento, pode ser uma canção. Não necessita de ser matéria, pode aspirar a ser orgânica.

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