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Nelson Brissac Peixoto ///

Turbulências da matéria. Arte, ciência e indústria

As relações da arte com a ciência e a indústria ganharam, nos últimos anos, novas e instigantes variáveis. Embora a arte, tal como a conhecemos desde a Renascença, sempre tenha interagido com o conhecimento científico e o fazer instrumental, dois eventos recentes acrescentaram outras dimensões a esse quadro:

1) Uma verdadeira revolução científica ocorreu, a partir dos anos 70, com o desenvolvimento das teorias dos sistemas dinâmicos e complexos. Iniciada na física – na termodinâmica –, ela implicou uma radical alteração no modo como compreendemos a matéria, agora reconhecida como capaz de auto-organização, de gerar suas próprias formas e configurações. Descobriu-se que é nos estados distantes do equilíbrio que os sistemas materiais se constituem e evoluem. A instauração dos processos em desequilíbrio, antes relegados à categoria de desvios desprezíveis, no centro das preocupações científicas teria profundo impacto cultural, inclusive na produção artística. Em particular, na escultura.

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