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David Barro /// Conversación con João Tabarra “Monta-se uma
comédia cinematográfica com a mesma precisão que o funcionamento interno de um relógio.” André Gide apontou: “Tudo já foi dito, mas uma vez que ninguém ouve, temos de continuar a voltar atrás e começar tudo de novo”. Mas a verdade é que não me custa insistir em João Tabarra, artista de quem me confesso um convencido. João Tabarra pertence ao pequeno grupo de artistas que entendem que o artista está próximo da figura de um corredor de fundo. Por isso, uma vez dominado o ofício da fotografia rompeu com ela para ganhar distância, para viabilizar um discurso crítico que hoje expande nos seus vídeos e que lhe permite questionar, antes de mais, a imagem num momento em que a profusão desta pode ser assumida como sintoma iconoclasta. Mas também, porque sob essa ironia crítica, que esconde um sentido político da vida, se esconde certa fé ou crença no poder individual para mudar as coisas ou, atrever-me-ia a dizer, para que não mudem para pior do que já estão. |