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EDITORIAL Guy Brett /// Biografías de Migração Segundo a International Organisation for Migration, no início de 2005 existiam no mundo 185 milhões de pessoas definidas como migrantes internacionais. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, 19 milhões de pessoas são refugiadas, candidatas a asilo político e pessoas deslocadas dentro do seu próprio país. Claro que estas estatísticas de movimentações ocultam uma enorme variedade de experiência humana, da mais profunda miséria a algo como o turismo de lazer, o que só torna mais difícil compreender um processo tão vasto, no qual participam tantas forças. Na sua magnífica obra The Turbulence of Migration, Nikos Paperstergiadis diz-nos que, hoje em dia, “os padrões de migração são... tão múltiplos e têm uma natureza tão complexa que actualmente é impossível generalizar sobre a lógica que determina as suas causas, ou localizar os seus fluxos segundo as coordenadas binárias de partida e de destino”. Papastergiadis questiona se, como normalmente se acredita, a sobrevivência económica está no centro da migração ou se, na verdade, a viagem é “o primeiro passo da procura de um sonho pessoal de progresso cultural”. Um mapa actual da migração global, conclui o autor no fim de um dos seus capítulos, “seria tão complexo como todas as biografias de migração” |