Mónica Yoldi /// O discurso da cópia

No século XX, por causa da reprodução técnica, a obra de arte objectualiza-se, perde a sua originalidade e, de certa forma, passa a ser um produto mais do sistema de mercado característico da economia capitalista. Daí decorre que o conceito de originalidade se desfigure, já que a obra de arte pode ser reproduzida em múltiplas cópias. Se Marcel Duchamp foi um dos primeiros artistas a fazer uso daquilo que a reprodução mecânica supunha para a arte, Sherrie Levine (Hazleton, Pennsylvania, 1947) pega nesse testemunho e elabora uma obra que questiona o mito do artista original e da obra de arte como peça única.

No trabalho de Sherrie Levine importa destacar dois pilares básicos. O primeiro é a grande influência de Marcel Duchamp sobre a sua obra. O segundo é a admiração da artista pela literatura de Borges, carregada de duplos sentidos e paradoxos. A tudo isso se acrescenta o interesse constante em configurar as suas criações a partir de elementos preexistentes, tiradas de imagens de revistas, de livros e de catálogos, o que atingirá o seu auge quando Levine decide apropriar-se da obra de outros artistas.

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